Santa Cruz do Sul – Por muito tempo, o contador esteve associado, no imaginário empresarial, ao fechamento de balanços, às obrigações fiscais e ao cumprimento de prazos. Esse retrato ficou pequeno e em meio à maior transformação do sistema tributário brasileiro das últimas décadas, a profissão avança definitivamente para outro território: o da estratégia. Às vésperas do Dia do Contador, celebrado em 22 de setembro, a Reforma Tributária evidencia uma mudança que já estava em curso e coloca conhecimento contábil, capacidade de análise e inteligência gerencial cada vez mais próximos do centro das decisões empresariais.
A vice-presidente do Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Rio Pardo (Sindicontábil), Clari Schuh chama atenção para um ponto que ajuda a dimensionar essa transformação. “Os efeitos da reforma não é apenas imposto, eles alcançam formação de preços, margens de contribuição, fluxo de caixa, investimentos, fornecedores, clientes, revisão de contratos e, em determinados casos, a própria viabilidade, é um novo modelo de negócios”, ressalta. Segundo a contadora e professora de contabilidade, antecipar diagnósticos e compreender a cadeia de valor passa a ser uma questão de competitividade, e não apenas de conformidade tributária.
Na avaliação de Clari, a mudança também altera a posição do contador dentro das organizações. Informações tributárias, financeiras, comerciais e operacionais precisam ser conectadas para construir cenários, antecipar riscos e orientar escolhas. “O profissional passa a exercer papel fundamental na coordenação desse processo, transformando dados em inteligência para decisões que envolvem desde capital de giro até planejamento de investimentos”, pontua.
Para a presidente do Sindicontábil Vale do Rio Pardo, Flávia Frohlich, esse movimento reforça uma evolução que já ocorre dentro dos escritórios e das empresas. “O contador não pode mais ser visto apenas como quem registra aquilo que já aconteceu. Cada vez mais, ele participa daquilo que ainda vai acontecer. É um profissional que interpreta cenários, antecipa impactos e ajuda empresários a tomar decisões com mais segurança. A Reforma Tributária torna esse papel ainda mais evidente”, afirma.
“É justamente aí que o Dia do Contador ganha um significado diferente. Mais do que celebrar uma profissão tradicional, a data aponta para uma atividade em transformação, cada vez mais tecnológica, analítica e conectada ao negócio”, acrescenta Clari Schuh. Segundo ela, em um ambiente no qual decisões equivocadas podem comprometer margem, caixa e competitividade, dominar números continua sendo essencial. Mas o diferencial está em saber o que fazer com eles. “Para o Sindicontábil, é nesse espaço, entre informação e decisão, que o contador consolida uma das posições mais estratégicas da empresa contemporânea”, complementa a presidente, Flávia Frohlich.